30/06/2020

Como lidar com a ansiedade

Passado e Futuro não existem. O primeiro, porque já foi e o segundo, porque ainda não é. Não há o que fazer com eles. Não há como modificá-los, alterá-los. Estão completamente fora do nosso alcance. De fato, passado e futuro não têm a menor condição de existência.

Não raro, entretanto, definem - em alguns casos, definem totalmente - a vida de muita gente. Determinam, fixam, decretam, decidem cada um dos acontecimentos da vida. Ou seja, embora não existam, passado e futuro permanecem no presente.

Eis aí - tudo indica -, a origem de tantos males que afligem tantas pessoas. E se assim é em tempos 'normais', como está sendo em meio à pandemia do corona vírus? Se assim é em tempos de correria, quando muita coisa deixa de ser feita por falta de tempo, como está sendo esperar o tempo passar em meio a tanta incerteza?

Claro! A tendência é que sentimentos como perturbação, aperto no peito,  sufoco, desamparo, carência e coisas parecidas venham à tona.

Ocorre que sentimentos como esses são expressões de emoções que, assim como órgãos, tecidos, pele, ossos, músculos etc. são elementos constitutivos do ser humano. Fazem parte de nós, seja como matéria seja como ideia, como  construção mental. Emoções não são nem boas nem más. Temos que considerá-las, é certo! Tratá-las como mais ou menos importantes, no entanto, é algo que cabe a cada um de nós.


Angústia, ansiedade e medo


Assim como passado e futuro, emoções não existem a não ser na nossa mente que, então, processa e reproduz as informações que lhe fornecemos. Vale dizer: a mente não produz dados; cada um de nós inventa, alimenta e sustenta a sua mente, enviando informações que, conscientemente ou não, queremos que ela processe e reproduza. Por outro lado, quem pode cessar ou diminuir esse movimento é cada um de nós também.

Lidar com a ansiedade, portanto, é algo possível. Pode ser mais ou menos simples, mais ou menos difícil, mais rápido ou mais lento. Não importa! O fato é que conseguimos lidar com ela. E não precisamos de remédio pra isto.

Alguns passos podem ser bem interessantes. Sugiro que experimente:


1] Compreender que a ansiedade faz parte do nosso ser e que todos somos ansiosos. Conhece alguém que, de verdade, não é?

2] Perceber que a ansiedade vem sempre acompanhada do medo que temos em relação ao futuro. Conhece alguém angustiado e ansioso com o passado?

3] Encontrar alguém que se disponha a ouvir seus medos, suas angústias. Dizer, verbalizar, nomear sentimentos funcionam como luz na escuridão.

4] Auto-aplicar pressão em determinados pontos no corpo promove enorme alívio de dores e bem estar. Nosso corpo é inteligente e tem capacidade de nos curar.


Caso necessite e queira aprofundar este tema, saiba mais clicando aqui.

26/06/2020

Modos de ver e lidar com o corpo

Fomos ensinados e treinados a pensar que as doenças são causadas por algo externo a nós mesmos. Mais ainda: que os órgãos do nosso corpo são como peças de uma máquina, assim como um automóvel ou uma lavadora de roupas; e que a nossa mente funciona como um computador. Assim, acreditamos que sofremos do estômago, do fígado, do baço, dos pulmões... da mente. Então, buscamos especialistas que nos encaminham a outros especialistas que invadem e cortam nossos corpos e nos enchem de remédio de farmácia.

O que muitos entre nós não sabem é que esse jeito de olhar e lidar com o corpo e a doença é apenas um jeito. Interessante, mas tão somente um jeito. Há outros. Aliás, muitos outros. Alguns têm cerca de 6 mil anos de registros históricos, ou seja, há milênios vêm sendo testados, corrigidos, ampliados, aperfeiçoados.

A MTC - Medicina Tradicional Chinesa -, como se convencionou denominar um conjunto de terapêuticas milenares no continente asiático, é um desses outros jeitos. Anda mais antigo é a 'ciência da vida', ou Ayurveda. Há também a chamada Medicina Grega e, seguramente ainda mais antiga do que essas, a que responde genericamente por Medicina Indígena, através de seus pajés, rituais, plantas, banhos...

O princípio básico dessas práticas medicinais é filosófico, diferentemente da atual Medicina Analítica, que se fundamenta na ciência moderna. Lembrando que o termo princípio quer dizer algo que tem origem e permanece, para essas outras artes de cura [exatamente o que significa Medicina], há uma substância não material e não visível, cujo nome é energia, que é responsável por toda e qualquer mudança em termos de vida. A MTC lhe dá o nome de Qi ou T'Chi.

Energia Qi - ou energia primordial ou o equivalente em outra cultura: força material, matéria, matéria-energia, força vital, energia vital... - é uma essência que governa e alimenta cada indivíduo e a natureza. É como a chama de fogo que mantém a vida, colocando-a em movimento através de canais energéticos ou Meridianos. Dessa forma, atua tanto dentro como fora dos corpos, sustentando o mundo material.

Quando é a energia vital o princípio que orienta a arte da cura, pode-se dizer que há, então, a prática da Medicina Sintética, que vê e trata o corpo não como máquina, mas como um todo. Sinais e sintomas são observados, diagnosticados e cuidados a partir de uma análise global do indivíduo para, então, buscar causa, natureza, localização da doença, relacionando-a com a energia vital. A terapia não é para esse ou aquele órgão, mas para o conjunto dos órgãos. Isto quer dizer que uma mesma doença pode ser tratada de maneira diferente, do mesmo modo que diferentes doenças podem ser tratadas de maneira semelhante. 

Vale dizer, por fim, que nessa perspectiva, o foco não é a doença, mas o doente. Os sintomas servem como guias para o que mais interessa, ou seja, o desequilíbrio energético que, de fato, faz aparecer a doença e o sofrimento.

E não é incrível que essas outras formas de conhecimento sejam simplesmente ignoradas por grande parte dos profissionais da saúde?

20/06/2020

Homem Máquina

Faz um tempo - cerca de 400 anos - que vem se desenvolvendo um modo de ver e lidar com o mundo essencialmente diferente dos que exitem há milênios: a chamada ciência moderna. Francis Bacon, Descartes, Galileu e Newton são nomes tidos como iniciadores desse novo jeito de pensar e agir diante da natureza, da sociedade, da economia, da política, da arte... e do corpo. 

O que basicamente os caracteriza é a ideia de que vivemos numa grande máquina, num espaço totalmente geometrizado. A natureza, o corpo humano, a convivência social, a vida... são vistos e tratados como máquinas em funcionamento, determinadas e governadas por uma causa externa a elas, uma causalidade cega.


"Suponho que o corpo não é senão uma estátua ou máquina", diz Descartes. Supõe também que o universo é uma máquina e, assim como o corpo, devem seu funcionamento à alma. Ambos são parecidos com um relógio: quando alguma peça deixa de funcionar, ela pode ser consertada ou substituída.


Então, para tratar esse tipo de corpo - ou dessa máquina - criou-se uma medicina - a Medicina Analítica - baseada na crença de que a causa de qualquer enfermidade é externa ou exógena. Adotou-se uma metodologia que separa e pesquisa os diferentes tipos de doença, atendendo integralmente os passos a serem seguidos caso não se queira deixar enganar por falsas ideias, segundo Descartes, ou por "ídolos" ou "fantasmas", conforme Bacon.


O resultado disso é o que existe hoje como atenção oficial à saúde individual e coletiva: uma medicina super especializada e avançada, sobretudo para quem pode pagar. No geral, quando e onde ela é possível, o indivíduo é submetido a baterias de exames para então, talvez, ouvir algum diagnóstico detalhado mas incerto, e tem de se virar com receitas que, sem dúvida, fazem muito bem à indústria farmacêutica.


Felizmente há uns poucos - ainda muito poucos - profissionais da área de saúde que, embora formados pela Medicina Analítica, conseguem ampliar seus limites e não ignoram os mais de 5 mil anos de registros de outros modos de ver e lidar com o corpo humano. Há, inclusive, alguma política pública de saúde no Brasil que inclui alguns desses modos. Ao procederem assim, certamente contribuem para que nos vejamos e nos tratemos não como máquinas, mas como seres humanos.

02/06/2020

Yin e Yang

“Só temos consciência do belo
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom
Quando conhecemos o mau
Porquanto o Ser e o Existir
Se engendram mutuamente
O fácil e o difícil se completam
O grande e o pequeno são complementares
O alto e o baixo formam um todo
O som e o silêncio formam a harmonia
O passado e o futuro geram o tempo (...)”
[Tao Te Ching]

Esta ideia se repete em muitas outras culturas mundo afora. Para os chineses, tem a ver com o conceito de energia. O símbolo [junção de múltiplos pedacinhos] é Yin e Yang.

Yin tem a ver com o lado escuro da montanha e Yang, o lado iluminado da montanha. É o mesmo que sol e lua, figura e fundo, positivo e negativo. De um lado, o ativo, dinâmico e masculino. De outro, o passivo, estático e feminino. Dois lados da mesma moeda. Opostos que se complementam: um não existe sem o outro.

A polaridade se manifesta em tudo. Um polo contém o outro e também é contido pelo e no outro. Ora um, ora outro se sobressai, mas somente por um tempo. O que aparece é a dança dos contrários: lentamente um cresce até a destruição do outro, ao mesmo tempo em que o outro vai se transformando no um.

O que, de fato, os caracteriza é o movimento. Jamais estão estagnados!

Yin e Yang são opostos, mas não competem entre si. Não são confundem com bem e mal, como quer o maniqueísmo, que atribui valores ao que se opõe: ‘isto é do bem e aquilo é do mal’… O que interessa é o possível equilíbrio [bom] ou desequilíbrio [mau] entre eles.

23/04/2020

Aulas

A filosofia é um modo racional e critico de conhecer o mundo. 

É exercício, portanto. É algo que exige tempo e dedicação. 

Mas é também muito gratificante!

Pensar e decidir por conta própria, sem jamais desconsiderar o outro, são ações constitutivas de sujeitos autônomos... e livres.

Preencha o Formulário ao lado e aguarde contato para agendarmos o primeiro contato online.

11/04/2020

Convite especial

Não é aula. 
Não é palestra. 
Não é curso. 
Não é oficina.

É um momento de conversa sobre a vida. 
De falar e ouvir o que cada um tem a dizer sobre a natureza, a sociedade, o outro e de si mesmo. Momento de discutir as coisas…

Trata-se de um convite a quem quer fazer filosofia, isto é, enveredar-se pelos caminhos da superação do senso comum, do ‘acho-que-achei-que-tinha-achado’ quase sempre pautado pelo preconceito – essa coisa horrorosa que insiste em nos fazer sentir e pensar de um jeito avesso ao que, de verdade, tem a ver com cada um de nós.

Se puder e quiser participar, inscreva-se aqui.

22/03/2020

Sistema Imunológico

Recomendo fortemente que você acompanhe com muita atenção esta excelente conversa sobre a vitamina D3. 
Há milhares de publicações médicas sobre a relação Vit D3 e vírus simplesmente ignoradas pelo poder público e sistemas médicos, em geral bancados pela indústria farmacêutica. A segunda meia hora da conversa é primorosa.

19/12/2019

CUIDAR, EDUCAR E CONVIVER COM A CRIANÇA DE 0 A 6 ANOS

justificativa

Tão importante quanto a prática de quem atua profissionalmente com crianças de 0 a 6 anos, é conhecer e discutir ideias e propostas de pesquisadores que estudam e propõem ações que efetivamente contribuam para o desenvolvimento saudável da criança.

O período que vai da gestação até os 3 anos de vida [primeiríssima infância] tem a ver, sobretudo, com justiça social. Se os seus direitos [ONU, 1959 e ECA, 1980], são garantidos também nessa fase, toda a sociedade se beneficia, como atestam os pesquisadores abordados no decorrer do curso e, mais recentemente, o Center on the Developing Child (CDC), da Universidade de Harvard. Vale dizer: as experiências no início da vida afetam a formação do cérebro e toda a vida da criança.

Compreender a primeira infância [4 a 6 anos] e prestar atenção nas palavras que, em geral, os adultos dirigem à elas igualmente contribui significativa e positivamente para o seu crescimento saudável. Observar, rever e repensar, tecendo considerações sobre a linguagem empregada pelos adultos no contato direto com a criança nessa fase da vida, portanto, mais que importante é uma necessidade.

objetivos

• Contribuir para a formação teórica dos profissionais que atuam com crianças na primeira infância
• Apresentar modalidades atuais de atenção à criança pequena, inclusive em outras culturas
• Discutir abordagens de pesquisadores sobre o tema
• Tecer considerações a propósito das relações humanas, em particular no âmbito da escola, mediadas pela linguagem oral com crianças na primeira infância

conteúdos

• Modalidades atuais de atenção à criança pequena no Brasil e em outros países
• Importância do ambiente acolhedor, promotor de segurança, saúde e conforto aliando cuidado e educação, que respeita as necessidades de cada criança e possibilita a adaptação e o amadurecimento individual
• O cuidado ou ato de pensar e planejar a educação para o desenvolvimento pleno da criança
• Diferentes formas de desenvolvimento da expressão de crianças de 0 a 6 anos.

módulo 1 – primeiríssima infância [0 a 3] – duração: 12 horas

• Estresse Infantil : experiências no início da vida afetam a formação do cérebro e toda a vida da criança
• Outros modos de atenção à criança pequena: diferentes concepções de criança evidenciam modos diferentes de lidar com ela
• O que é ser “boa mãe”? - importância do ambiente que acolhe e promove segurança, saúde, conforto, respeita as necessidades da criança e possibilita a adaptação e o amadurecimento individual

módulo 2 – primeira infância [4 a 6] – duração: 12 horas

• Usos da palavra: considerações sobre o período em que a criança ainda não entende com clareza o que os adultos dizem, não sabe o que falar e nem como se comportar, não compreende como as coisas funcionam ou, pelo menos, não do jeito que, em geral, os adultos querem e/ou acham que ela entende e/ou deve entender.

metodologia

• aulas expositivas e dialogadas; problematização da prática

responsável

    • Donizete Soares

Professor de filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira [1979]; especialização em Filosofia das Ciências Humanas pela PUC/SP [1984]; diretor de Escola de Educação Infantil [antigo berçário, maternal, jardim e pré]; professor do ensino fundamental, médio [filosofia, história, sociologia, psicologia]; professor de curso superior de filosofia [história, teoria do conhecimento, ética] e de pedagogia [filosofia, história, psicologia e sociologia da educação]; professor de cursos livres [várias disciplinas] desde 1979; autor de livros e artigos sobre Educação, Comunicação, Educomunicação e Filosofia: “Educomunicação – o que é isto”, “Meios de Comunicação”, “Ideias Libertárias”, “Pra discutir – e gerar boas conversas por aí”, “Feridas da Infância”, entre outros; responsável por vários projetos de Educomunicação nos municípios de São Paulo, Sorocaba, Vargem Grande Paulista, Atibaia, Parati, entre outros; coordenador de várias atividades culturais para adolescentes, jovens e idosos em unidades do Sesc São Paulo, inclusive o CPF - Centro de Pesquisa e Formação e ONG's no território nacional; professor em vários curso de Formação de Educadores do SindSep São Paulo; co-fundador e co-responsável pelo INSTITUTO GENS de Educação e Cultura, desde 1988.


bibliografia

ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1978.
Center on the Developing Child (CDC), Universidade de Harvard; Cambridge, Massachusetts : http://developingchild.harvard.edu/
DEL PRIORE, M. História da criança no Brasil. São Paulo: Contexto, 1995.
GARDNER, H. Estruturas da Mente - A Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
JUNG, C.G. O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1964.
KUHLMANN JR, M. Infância e Educação Infantil. Porto Alegre: Mediação, 1998.
MAQUIEIRA, Lidia Suzana. O desenvolvimento emocional na primeira infância. São Paulo:Scipione, 2012.
PIAGET, J. Problemas de Epistemologia Genética. In: Piaget/Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p. 211-271. São Paulo (SP).
REICH, Wilhelm. Children of the Future: On the prevention of sexual pathology. New York: Farrar, Straus and Giroux, 1987.
VYGOTSKY, L.S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
WINNICOTT, D. W. Os bebês e suas mães. São Paulo:Martins Fontes.
________________ A criança e o seu mundo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan

07/12/2019

CURSO/OFICINA: Educomunicação e fotografia

justificativa

Considerando a diversidade de processos comunicativos que caracterizam a sociedade atual, ajustar processos educacionais é algo que se impõe como desafio aos educadores em geral.

Usar a imagem ou apropriar-se a linguagem da fotografia como instrumento pedagógico possibilita, além do exercício do processo criativo, a inter-relação dos saberes – um dos pilares da Educomunicação.


objetivos

• contribuir para a formação em Educomunicação
• propor e estimular aproximações entre comunicação e educação, em particular a linguagem da fotografia
• exercitar a produção coletiva de comunicação, utilizando dispositivos como o celular e/ou a câmera fotográfica

conteúdo

• linguagem fotográfica: planos e enquadramentos; noções de foco, espaço, iluminação e posição
• leitura, compreensão e interpretação de imagens fotográficas
• elaboração, criação e produção coletiva de fotografia
• produção fotográfica e formas de compartilhamento no âmbito da unidade escolar 

metodologia

• aulas expositivas e dialogadas; atividades colaborativas em pequenos grupos; oficinas pedagógicas; problematização da prática; exercícios e tarefas do conteúdo; vivências sobre o contexto

carga horária

16 horas

público-alvo

profissionais de educação e interessados em geral

bibliografia
BARROS, A. M. Educando o olhar: notas sobre o tratamento das imagens como fundamento na
formação do pedagogo. Disponível em
https://www.revistas.usp.br/comueduc/article/viewFile/36859/39581 Acesso em 28 julho 2018.
DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico. Campinas (SP): Papirus, 1994.
FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
LOPES LIMA, Grácia. Educação pelos meios de comunicação. São Paulo: INSTITUTO GENS, 2009.
Disponível em: http://www.portalgens.com.br/livroeducomunicacao/home/ Acesso em 27 julho 2018.
READ, Herbert. A educação pela arte. São Paulo: Martins Fontes, 1982.
SOARES, Donizete. Educomunicação – o que é isto. São Paulo: Projeto Cala-boca já morreu, 2015.

28/11/2019

AnarcoEducação - Educação fora da escola: Educação, Arte e Comunicação - direitos de todas as pessoas!

Apresentação do percurso do Trecho 2.8 - criação e pesquisa em comunicação, projeto de educação não escolar, desenvolvido, desde 2010, com adultos em situação de alta vulnerabilidade social, na cidade de São Paulo.

Embora seja uma palavra associada, de imediato, à função formativa de incumbência da família e da escola, Educação é um fenômeno que não se limita a essas instituições. Do mesmo modo, ultrapassa a concepção de que resulte da condução de alguém por outro, mais maduro e experiente.

Nesta apresentação tomaremos o sentido do termo como “ato ou processo de educar(-se)”, ou seja, uma educação que não é oferecida para o outro, mas, antes, que se realiza com outro.

A partir da ação direta na construção do Trecho 2.8 – criação e pesquisa em comunicação, um projeto que une Educação, Arte e Comunicação, recordaremos momentos vividos pelo grupo, esperando não apenas narrar, muito menos enaltecer o que estamos realizando, mas compartilhar sonhos e desassossegos que continuam nos movendo. Vamos ilustrar nossa fala com criações fotográficas e programas de rádio realizadas pelos participantes, para desencadear conversa sobre educação e produção coletiva de comunicação.

Acesse a página do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.

23/11/2019

AnarcoEconomia – Alimentação e economia disruptivas

Nesse encontro, vamos desenvolver a conexão entre uma racionalidade ancestral e as escolhas cotidianas de consumo. O que se pode fazer e qual é o limite da política do que comemos. O Instituto Feira Livre é uma experiência que tem quase 2 anos de vida. Neste encontro trataremos das múltiplas cadeias que atingimos com essa experiência e quanto isso pode interferir no cotidiano das pessoas, a partir de afetos políticos. 

Discutiremos: o estado atual da produção sem agrotóxicos no Brasil a partir da comercialização; o que move as pessoas a consumir alimentos sem agrotóxicos?; a pesquisa do Instituto Kairós; as experiências de uma pequena rede: Instituto Feira Livre, Instituto Chão, Instituto Baru e Armazém do Campo, o que têm em comum?; a comercialização na história de indígenas e quilombolas; para além do consumo, práticas comunitárias, disruptivas e de resistência na cidade.

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15/11/2019

AnarcoGênero – Diálogos por uma descolonização do Feminismo

Quais corpos cabem no Feminismo? E de que Feminismo falamos quando respondemos a pergunta? O encontro busca cartografar o diálogo entre o movimento Feminista e as múltiplas expressões e identidades de gênero a partir de uma investigação dos Feminismos descoloniais de Abya Ayala. 

Nos últimos anos, os chamados movimentos identitários (Feminista, Negro, Indígena, LGBTQI) tiveram - em diferentes proporções – suas pautas amplamente disseminadas pelas redes sociais. A macropolítica tem se mostrado hostil a essas agendas, não só pelo atual contexto político, mas também por sua estrutura fundadora. 

Nesse sentido, a micropolítica se apresentada como um território onde a potência fértil e libertária desses movimentos pode emergir. 

Apresentação das matrizes teóricas e práticas de dois movimentos: o Feminismo Comunitário de Abya Ayala e a Escola de Abya Ayala para que as pessoas participantes e as facilitadoras possam dialogar sobre essa potência e as possíveis brechas coletivas de atuação. Como suporte, as facilitadoras ainda trarão outros referenciais históricos e experiências de pesquisa-ação-luta que acharem pertinente. Com Lívia Ascava e Helena Silvestre.



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04/11/2019

Ciclo de Encontros de Ideias e Ações Libertárias

Programa

O que, em especial, caracteriza a convivência social é a pluralidade. Diferentes modos de sentir, pensar e agir, possibilitam aos indivíduos e aos grupos a expressão de si mesmos, de suas necessidade e sonhos. Se a expressão dessas diferenças é impedida e/ou dificultada, estes se enfraquecem. Se a diversidade não se manifesta, a convivência social é embrutecida. Garantir, portanto, a livre expressão das diferentes formas de pensar e lidar com a vida ultrapassa os limites das instituições criadas para supostamente preservar ou “melhorar” a convivência social.

Tem a ver, isto sim, com a real necessidade de reconhecer, no interior das relações sociais, elaborações e criações de novos modos de viver.

Estes encontros pretendem apresentar concepções e práticas sociais na cidade de São Paulo que pensam, propõem e realizam formas não convencionais de lidar com educação, economia, gênero, terapia e cultura, tendo como norte a preservação e o cultivo de um dos mais nobres valores humanos: a liberdade.

E, tem a intenção também, de compartilhar conhecimentos e divulgar ideias e ações de indivíduos e grupos envolvidos com princípios libertários como solidariedade, cogestão, ação direta, liberdade dos indivíduos, apartidarismo, entre outros.

Acesse a página do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.

26/10/2019

Reaça

Hoje, no Brasil, uma entre três pessoas é reaça. Não importa se é parente, amig@, colega, vizinh@, conhecid@ ou não, o fato é que é reaça. 

Observe o que uma entre três pessoas que convivem com você sente, pensa e age com relação a pobre, negro, gay, mulher, nordestino… 

Preste atenção ao que ela diz e, sobretudo, como se comporta quando o assunto é política, religião, arte, economia… 

E o pior é que o que você ouve dela, assim como o modo como ela se comporta, é exatamente o mesmo que você ouvirá e verá nas demais. 

Ou seja, individual e coletivamente esse tipo de gente porta o mesmo discurso e até a mesma entonação.

....
A palavra reaça é uma contração do termo reacionário que, tudo indica, surgiu no contexto da Revolução Francesa nos idos de 1789. Reacionário era quem se opunha às mudanças sociais, culturais, econômicas e políticas decorrentes da ascensão da burguesia ao poder. Dentre eles, havia pequenos comerciantes, artesãos, camponeses… temerosos do que poderia acontecer.

O reacionário era contra a burguesia, o oposto de revolucionário que, por sua vez, era a favor da mudança para novos modos de ver, de pensar, de sentir, de ser. O reacionário preferia o Antigo Regime ou sistema social e político aristocrático centrado na figura do rei e de seus asseclas. Queria o rei no poder, certo de que a democracia burguesa era uma enganação. O reacionário dizia que povo no poder é conversa pra boi dormir…

O revolucionário burguês, então, associou-se ao aristocrata e garantiu a ele um lugar confortável no Atual Regime sustentado por um sistema democrático que, na realidade, nada mais é do que uma adaptação moderna da democracia grega. Assim como apenas 10% do atenienses eram cidadãos, a atual democracia representativa funciona muito bem para um percentual mínimo da população. A diferença está no enorme número de votos [por aqui, obrigatórios] que elegem os representantes dos interesses da minoria.

...
Nos últimos tempos, o termo reaça tem a ver com  quem não aceita nem o que é e nem o que pode vir a ser. É o tipo que, tendo origem entre os mais pobres, não quer de modo algum ser ou parecer ter sido pobre, mas sonha ser o que não é. 

[Convém lembrar que pobre não é quem não tem bens materiais ou dinheiro. Ninguém jamais nasceu pobre ou rico, mas enriquecido ou empobrecido - como, de fato, é o caso da maioria absoluta das pessoas.]

Quem é reaça vive uma baita crise de identidade. É como se dissesse: ‘não quero ser o que fui e não sou o que quero ser... quem sou eu?’. 

A resposta é simples: é mais um ou uma reaça ou "pobre de espírito", como já foi dito há muito tempo. A palavra reaça é tão feia quanto são feios os modos de pensar e agir tipicamente reaças!

16/10/2019

Perguntas urgentes e necessárias

Por que se fala tanto em pastor e ovelhas nas igrejas, sejam elas espaços de cultos ou modelos de organização e convivência social?

Por que as ideias e as ações do soldado de Tarso modelaram e continuam modelando o pensamento e as práticas de milhões e milhões de pessoas?

Por que instituições como família, escola, corporações e outras organizações são parecidas com as igrejas?

Por que essas instituições insistem tanto nas supostas e necessárias divisões entre pais e filhos, professor e alunos, chefe e funcionários, superior e subordinados... todas elas visando a 'preservação da saúde' de cada um de nós?

Por que fé e religião nada têm a ver com igreja, mas que foram e são utilizadas como mecanismos importantes de subordinação e controle das pessoas, seja quando são e aceitam ser transformadas em rebanhos de ovelhas pastando em espaços abertos, seja quando são e aceitam ser confinadas nas diversas instituições cada vez mais parecidas com currais e apriscos, por sua vez, cada vez mais higienizados e objetos de cuidados especiais? 

04/10/2019

Relógio do Corpo

Olha que interessante! 

A MTC ou Medicina Tradicional Chinesa, com mais de 5 mil anos de história, diz que cada órgão do nosso corpo tem o seu horário. Nesse período, a energia vital ou chi, como eles chamam, entra e circula ainda mais nesse ou naquele órgão. 

Então, quando algum distúrbio ou doença aparece na hora em que a energia vital é mais forte num determinado órgão indica como podemos entender, diagnosticar e atuar em cada caso.

15/09/2019

Padrões de sentimento e pensamento

A origem da palavra padrão é latina: 'patronus' ou 'pater'; em português, PAI.

Padrão é o mesmo que exemplo, modelo, paradigma, referência, esquema... É algo que carregamos conosco e, sistematicamente, tendemos repetir em nosso dia a dia.

Padrões de sentimento e pensamento, então, são os modos de sentir e pensar que recorrentemente utilizamos no decorrer da vida. São padrões que acabam por definir nosso modo de agir com as pessoas, com o mundo e, sobretudo, conosco mesmos.

Penso numa pergunta extremamente simples: o que você sente é o que você sente?

Considere o modo como você sente a tristeza ante o descaso de alguém ou então a alegria de encontrar outro alguém. Esse jeito de sentir é mesmo o seu jeito de sentir? Ou é repetição do modo como os outros, especialmente os mais próximos, sentem? Não terá sido por convivência que você tomou para si o que, talvez, seja próprio deles?

Outra pergunta, igualmente simples: o que você pensa é o que você pensa?

O modo como você se expressa ou como bota pra fora o que passa pela sua cabeça tem realmente a ver com o que você pensa? Ou é mera reprodução do que o outro diz porque você tem medo de não ser reconhecido pelo grupo, de  não ser aceito e ficar sozinho?

Ora, é compreensível que os atos de sentir e pensar sejam reproduções do meio em que a gente nasceu e viveu os primeiros anos. Não caímos do céu e, portanto, temos tudo a ver com o ambiente inicial. É possível até que não conseguíssemos sobreviver se não repetíssemos o que nos foi ensinado.

Mas se a partir do momento em que conseguimos nos movimentar mais livremente não contamos com pais, professores e amigos que apostem na nossa autonomia, a possibilidade de que venhamos a ser meros repetidores do que os outros dizem é enorme. Tudo, aliás, contribui para que seja assim. Quanto menos sentirmos e pensarmos por nós mesmos, tanto melhor. Não damos trabalho e as coisas seguem como sempre foram...

Ultrapassar essa barreira, quebrar padrões de sentimento e pensamento, contudo, é algo que se impõe a quem busca a via de acesso a si mesmo.

09/09/2019

Qual é o seu temperamento?

De acordo com a matriz cultural ocidental, especialmente o mundo grego antigo, tudo o que existe vem do fogo, da terra, do ar e da água. Ou melhor, tudo resulta da combinação ou tempero das qualidades [quente, frio, seco e úmido] desses elementos. As misturas deles fazem com que cada ser seja o que, de fato, é. 

Nossos corpos, por exemplo, são compostos de elementos mais ou menos quentes, frios, úmidos e secos. Isto explica por que somos, ao mesmo tempo, tão parecidos e tão diferentes, tão iguais e tão únicos. O mesmo vale para nossos sentimentos e pensamentos: eles também são, mais ou menos quentes, frios, úmidos e secos.

Compreender os elementos, as qualidades e os temperamentos realizados pela natureza, inclusive e especialmente em nossos corpos, portanto, é tão importante quanto necessário – além de bastante útil, especialmente quando nos ocupamos em saber mais de nós mesmos. 

As informações contidas no mapa astral de nascimento possibilitam saber como a natureza temperou cada corpo físico e emocional no momento em que viemos à luz. Essa mistura de frio, quente, úmido e seco explica muito sobre o modo de ser, pensar e agir de cada um de nós.  

Saiba mais.

12/08/2019

Benzimento - vamos conversar sobre isso?

Claro que os colonizadores, tanto os de antes como os de agora, dizem que isto de Benzer é crendice, superstição, coisa sem fundamento! Colonizadores não suportam absolutamente nada que venha a não ser deles próprios. Então, tudo que não tem o aval deles não serve, não presta, não merece atenção. Pra eles, cabe ao colonizado tão somente pensar e fazer o que eles querem que seja pensado e feito.

Ocorre que desde os primórdios da história, a humanidade inventou práticas como o benzimento pra curar seus males físicos e psicológicos. Criou deuses e, de tanto admirá-los, utilizou-os como bem quis e quer. Há um sem número de rituais que serve exatamente pra isso. E não adianta colonizador algum insistir porque, ainda que sofram perseguições, os que cultuam deuses, não importando que forma tenham, continuarão a fazer seus rituais. 

Ervas e plantas, incensos e velas, objetos, símbolos, imagens e até mesmo o sangue de animais, entre tantos outros, nada mais são do que instrumentos que atendem a um único propósito: servir aos humanos para que possam atuar como quem quer e pode alterar uma situação de acordo com seus propósitos. Quanto a ser benéfico ou não esse propósito, a decisão é de cada um.

Benzimento, benzeção ou ato de benzer é o mesmo que bendizer. Pensamento, palavras, gestos e coisas se juntam em favor de quem busca alívio às suas dores. Bendizer é dizer coisas boas pra alguém, reconhecer e valorizar suas qualidades, elevar sua autoestima. Em forma de oração, o ato de benzer nada mais é do que pedir ao divino que atenda quem lhe pede atenção. 

Benzer alguém é priorizar o outro, atendê-lo, considerá-lo, enaltecê-lo. Receber a benção é sentir-se reconhecido, acolhido, querido. A relação que se estabelece entre ambos é de profunda humanidade – algo bem distante e muito diferente do que pretendem os colonizadores.