12/01/2018

Abandono | ferida da infância

Em geral, os adultos não percebem. Afirmam que é só brincadeira. Acham graça. Morrem de rir. 

Não compreendem que a noção de tempo e espaço é algo que está sendo construída. E que a criança não diferencia fantasia de realidade – pelo menos não do jeito deles. 

Não entendem que, na infância, ausência pode se o mesmo que abandono.

Quando se escondem e dizem, por exemplo, que ‘papai ou mamãe foi embora porque ficou triste com você’, a criança chora e, de verdade, sofre muito. Quando ameaçam deixá-la sozinha porque fez isto ou aquilo, ela acredita que é isto mesmo que vai acontecer. Quando ‘esquecem’ de buscá-la ou demoram pra ir ao seu encontro, a sensação que ela tem é que, realmente, foi abandonada.

De fato, o abandono é um dos medos mais frequentes na infância.

Mesmo quando os pais e os mais próximos compreendem que, nesta fase da vida, fantasia e realidade se confundem e a noção de tempo é algo que está sendo construída, a situação não é nada simples. Se a criança foi ou é abandonada – ou se é isto que ela sentiu ou sente – é muito difícil o que tende a acontecer daí pra frente. A negligência [ou falta de cuidado ou desleixo ou desmazelo ou preguiça] marca profundamente o corpo e a mente da criança.

Na vida adulta, o medo da solidão e da rejeição levam ao desespero quando não conta com a presença física das pessoas que ama. Ou então, com medo de ser abandonada outra vez, ela tende a se reservar, não se liga a nada e a ninguém. 

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