03/02/2018

Injustiça | ferida da infância

Quando a criança vive num ambiente em que os adultos mais próximos são duros e frios, ela conta com todos os ingredientes necessários para crescer com uma ferida enorme causada por injustiça.

Vale dizer: ela é continuamente desrespeitada.

Crescer com adultos autoritários é sentir e, de fato, ser perseguida o tempo todo: `cala a boca`, `engole o choro`, `não faça isso, não faça aquilo`, `não vá nesse ou naquele lugar`… A criança é sistematicamente provocada. Cabe a ela nada mais que obedecer e cumprir ordens.

Como a primeira infância é o momento marcado pela necessidade ou carência ou dependência, a criança ainda não consegue reagir a tanta provocação. Quando consegue, expressa o sofrimento através do choro, da manha, da birra… Mas nada disso comove o meio autoritário em que vive.

Desafiada o tempo todo a demonstrar capacidade de reagir às provocações, de dar conta do que ainda não consegue, a tendência é que ela venha a nutrir sentimentos de impotência e, pior ainda, de inutilidade. Vai ficando claro pra criança que não merece ser amada, já que não é capaz de responder aos mandos e desmandos.

Na vida adulta, esse sentimento de injustiça - se não foi ou se não é trabalhado - explode num fanatismo pela casa em ordem, pela roupa indefectível, pela mania de cada coisa em seu lugar... A pessoa busca um possível perfeccionismo, tentando minimizar erros e cobranças exageradas na infância. Junte-se a isso a enorme dificuldade ou mesmo incapacidade de tomar decisões, das mais simples às mais difíceis.

Puro sofrimento!

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