26/10/2019

Reaça

Hoje, no Brasil, uma entre três pessoas é reaça. Não importa se é parente, amig@, colega, vizinh@, conhecid@ ou não, o fato é que é reaça. 

Observe o que uma entre três pessoas que convivem com você sente, pensa e age com relação a pobre, negro, gay, mulher, nordestino… 

Preste atenção ao que ela diz e, sobretudo, como se comporta quando o assunto é política, religião, arte, economia… 

E o pior é que o que você ouve dela, assim como o modo como ela se comporta, é exatamente o mesmo que você ouvirá e verá nas demais. 

Ou seja, individual e coletivamente esse tipo de gente porta o mesmo discurso e até a mesma entonação.

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A palavra reaça é uma contração do termo reacionário que, tudo indica, surgiu no contexto da Revolução Francesa nos idos de 1789. Reacionário era quem se opunha às mudanças sociais, culturais, econômicas e políticas decorrentes da ascensão da burguesia ao poder. Dentre eles, havia pequenos comerciantes, artesãos, camponeses… temerosos do que poderia acontecer.

O reacionário era contra a burguesia, o oposto de revolucionário que, por sua vez, era a favor da mudança para novos modos de ver, de pensar, de sentir, de ser. O reacionário preferia o Antigo Regime ou sistema social e político aristocrático centrado na figura do rei e de seus asseclas. Queria o rei no poder, certo de que a democracia burguesa era uma enganação. O reacionário dizia que povo no poder é conversa pra boi dormir…

O revolucionário burguês, então, associou-se ao aristocrata e garantiu a ele um lugar confortável no Atual Regime sustentado por um sistema democrático que, na realidade, nada mais é do que uma adaptação moderna da democracia grega. Assim como apenas 10% do atenienses eram cidadãos, a atual democracia representativa funciona muito bem para um percentual mínimo da população. A diferença está no enorme número de votos [por aqui, obrigatórios] que elegem os representantes dos interesses da minoria.

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Nos últimos tempos, o termo reaça tem a ver com  quem não aceita nem o que é e nem o que pode vir a ser. É o tipo que, tendo origem entre os mais pobres, não quer de modo algum ser ou parecer ter sido pobre, mas sonha ser o que não é. 

[Convém lembrar que pobre não é quem não tem bens materiais ou dinheiro. Ninguém jamais nasceu pobre ou rico, mas enriquecido ou empobrecido - como, de fato, é o caso da maioria absoluta das pessoas.]

Quem é reaça vive uma baita crise de identidade. É como se dissesse: ‘não quero ser o que fui e não sou o que quero ser... quem sou eu?’. 

A resposta é simples: é mais um ou uma reaça ou "pobre de espírito", como já foi dito há muito tempo. A palavra reaça é tão feia quanto são feios os modos de pensar e agir tipicamente reaças!

Um comentário:

  1. Ao reacionário falta a criatividade.
    São críticos, e com uma forte tendência a rejeitar o novo, a mergulhar em desafios.
    São preconceituosos, na maturidade não aceitam a velhice como um processo natural. São prepotentes,insatisfeitos, muitas vezes ignorantes...
    Reflexoes...

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